Decisão · STJ

STJ AREsp 2428461

Rel. MAURO CAMPBELL MARQUESjulgado em 2023-08-02publicado em 2024-04-11
TRIBUTÁRIO
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. TEMPESTIVIDADE DO RECURSO ESPECIAL. DECISÃO RECONSIDERADA. INFORMAÇÃO CONSTANTE DE SISTEMA ELETRÔNICO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O equívoco na indicação do término do prazo recursal contido no sistema eletrônico mantido exclusivamente pelo Tribunal não pode ser imputado ao recorrente. 2. A jurisprudência do STJ reconhece que: "A divulgação do andamento processual pelos Tribunais por meio da internet passou a representar a principal fonte de informação dos advogados em relação aos trâmites do feito. A jurisprudência deve acompanhar a realidade em que se insere, sendo impensável punir a parte que confiou nos dados assim fornecidos pelo próprio Judiciário" (R Esp 1324432/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe 10/5/2013). 3. Agravo interno não provido. RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Trata-se de agravo interno interposto pelo MINISTÉIRO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA contra decisão da Presidência do STJ que reconsiderou decisão anterior, tornando-a sem efeito, afastando o reconhecimento da intempestividade do recurso especial. Em suas razões, a parte recorrente alega que o recurso especial, embora não seja intempestivo, não deveria ter sido conhecido uma vez não observada a regra que determina a comprovação do feriado local no ato da interposição. Assevera (e-STJ, fls. 1.347/1.352): Dito isso, é matéria pacífica, no âmbito deste colendo STJ, que a ocorrência de feriado local e/ou inexistência de expediente forense no Tribunal de origem deve ser comprovada no ato de interposição do recurso, em consonância com o que preconiza o artigo 1.003, § 6º, do CPC, que havia sido perfeitamente empregado neste caso. No entanto, tal providência não foi adotada pelo Embargante, que deixou de colacionar o Decreto do Tribunal de Justiça Baiano quando interpôs o Recurso Especial perante o TJ-BA. Observe-se que a única documentação juntada, na oportunidade, diz respeito, justamente, à peça do apelo nobre; inexistindo qualquer outro documento capaz de atestar a tempestividade da insurgência: (..) Ou seja, em nenhum momento se fez menção à informação fornecida pelo sistema PJE para fins de cômputo prazal. ALÉM DO MAIS, O PRAZO INDICADO PELO SISTEMA ESTÁ CORRETO. De acordo o Decreto do Tribunal de Justiça baiano concernente ao ano em questão, QUE NÃO FOI COLACIONADO PELO AGRAVADO NO MOMENTO DAINTERPOSIÇÃO DO RECURSO, considerando que a intimação foi realizada em 11/02/2022, o termo ad quem para protocolar o apelo nobre seria, realmente, 09/03/2022: (..) O que ocorreu, repise-se, foi que o Recorrente, no ato de interposição do seu apelo nobre, ignorou, por completo, a previsão do artigo 1.003, §6º, do CPC, que determina, obrigatoriamente, que "O recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso", e tal circunstância não pode deixar de ser observada por esta Casa de Justiça. E, conforme já se asseverou, tratando-se de vício insanável, a manutenção do não conhecimento do Recurso Especial é a medida que se impõe, pelo que este Ministério Público requer a reforma da decisão ora invectivada, que conferiu efeitos infringentes aos aclaratórios opostos. Requer, por fim, o provimento do agravo interno para que seja restabelecida a decisão de fls. 1.296/1.297 (e-STJ). Houve impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. TEMPESTIVIDADE DO RECURSO ESPECIAL. DECISÃO RECONSIDERADA. INFORMAÇÃO CONSTANTE DE SISTEMA ELETRÔNICO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O equívoco na indicação do término do prazo recursal contido no sistema eletrônico mantido exclusivamente pelo Tribunal não pode ser imputado ao recorrente. 2. A jurisprudência do STJ reconhece que: "A divulgação do andamento processual pelos Tribunais por meio da internet passou a representar a principal fonte de informação dos advogados em relação aos trâmites do feito. A jurisprudência deve acompanhar a realidade em que se insere, sendo impensável punir a parte que confiou nos dados assim fornecidos pelo próprio Judiciário" (R Esp 1324432/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe 10/5/2013). 3. Agravo interno não provido.
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