Decisão · STJ

STJ REsp 2089807

Rel. MARIA ISABEL GALLOTTIjulgado em 2023-07-24publicado em 2024-02-29
TRIBUTÁRIO
AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE OS VALORES APRESENTADOS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA RECEITA DO EVENTO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. 1. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória (Súmula n. 7/STJ). 2. Agravo interno a que se nega provimento. RELATÓRIO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI: Trata-se de agravo interno interposto por POVOAS & CORREA POVOAS LTDA. contra a decisão mediante a qual neguei provimento a seu recurso especial. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE COBRANÇA DE DIREITO AUTORAIS - CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO LEGITIMIDADE DO ECAD PARA COBRANÇA DOS DIREITOS AUTORAIS - SHOW ARTÍSTICO - COMPOSITOR DA OBRA MUSICAL COMO INTÉRPRETE DA CANÇÃO - LEGALIDADE DA COBRANÇA - RECURSO NÃO PROVIDO. 1. O artigo 370 do CPC dispõe acerca da faculdade do Juiz em dispensar ou indeferir a produção de provas que considerar desnecessárias, tal faculdade não configura cerceamento de defesa ou violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. 2. Por expressão da Lei nº. 9.610/98, na ausência de atuação direta do titular do direito autoral, o ECAD pode agir em seu nome, fixando os valores para a cobrança da referida contribuição, por meio de regulamento próprio. 3. Logo, se o responsável pela realização do evento musical, frente aos critérios referentes ao ônus da prova (art. 373, II, do CPC), deixa de apresentar o efetivo valor da receita bruta obtida com a realização do show, é possível ter-se por parâmetro aquele que apresentou o ECAD por estimativa. 4. Tanto o ECAD, em regra, como o autor, em exceção, detém competência para negociar e cobrar pela utilização de direitos autorais, tendo o último, contudo, a condição de comunicar previamente à associação mandatária de sua decisão, sob pena de não impedir a atuação daquela entidade, a teor do que dispõe o art. 98, "caput" e §15º, da Lei nº. 9.610/1998. 5. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que é cabível o pagamento de direitos autorais ainda que os executores sejam os próprios autores da obra, uma vez que o cachê recebido pelo artista intérprete e a retribuição pelo uso da obra são parcelas que não se confundem, advindas de situações jurídicas distintas, apesar de, eventualmente, poder existir confusão em relação aos sujeitos que as titulam. A agravante sustenta que a Súmula 7/STJ não se aplica ao caso, pois não busca o reexame das provas, mas a revaloração jurídica dos fatos incontroversos apurados pelas instâncias ordinárias. Em sua impugnação, ESCRITÓRIO CENTRAL DE ARRECADAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO - ECAD - alega que a agravante tenta discutir matéria de fato a fim de aferir a suficiência das provas constantes dos autos, o que atrai a incidência da Súmula 7/STJ. É o relatório. AgInt no RECURSO ESPECIAL Nº 2.089.807 - MT (2023/0260813-0) RELATORA : MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI AGRAVANTE : POVOAS E CORREA POVOAS LTDA ADVOGADO : BRUNO ALMEIDA DE OLIVEIRA - MT017276 AGRAVADO : ESCRITÓRIO CENTRAL DE ARRECADAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO ECAD ADVOGADOS : KARINA HELENA CALLAI - DF011620 PATRICK ALVES COSTA - MT007993B EMENTA AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE OS VALORES APRESENTADOS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA RECEITA DO EVENTO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. 1. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória (Súmula n. 7/STJ). 2. Agravo interno a que se nega provimento.
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