Decisão · STJ

STJ AREsp 2454781

Rel. ANTONIO SALDANHA PALHEIROjulgado em 2023-08-15publicado em 2024-10-11
PROCESSUAL
PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DISPARO DE ARMA DE FOGO. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO. REVERSÃO DO JULGADO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. REVISÃO DO CONTEÚDO FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DAS SÚMULAS N. 7/STJ E 279/STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A Corte originária reconheceu a existência de elementos de prova suficientes para embasar o decreto condenatório pela prática do crime de disparo de arma de fogo. Assim, a mudança da conclusão alcançada no acórdão impugnado, de modo a absolver o acusado, exigiria o reexame das provas, o que é vedado nesta instância extraordinária, uma vez que o Tribunal a quo é soberano na análise do acervo fático-probatório dos autos (Súmulas n. 7/STJ e 279/STF). 2. Agravo regimental desprovido. RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): Trata-se de agravo regimental interposto por FABIO HENRIQUE DOS REIS contra decisão em que conheci do agravo para não conhecer do recurso especial, em virtude da incidência da Súmula n. 7/STJ (e-STJ fls. 820/824). Consta dos autos que o agravante foi condenado à pena de 2 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial aberto, e a 15 dias-multa, pela prática do delito previsto no art. 15, da Lei n. 10.826/2003, c/c o art. 61, II, f, do Código Penal, e teve extinta a sua punibilidade pela prescrição referente às infrações de vias de fato e ameaça. A defesa apresentou recurso de apelação perante o Tribunal de origem, o qual lhe negou provimento, em acórdão assim ementado (e-STJ fls. 633/634): APELAÇÃO CRIMINAL - DISPARO DE ARMA DE FOGO ART. 15, DA LEI N. 10.826/2003 - SENTENÇA CONDENATÓRIA - ALMEJADA ABSOLVIÇÃO ANTE A INSUFICIÊNCIA DE PROVAS - IMPOSSIBILIDADE - CONJUNTO PROBATÓRIO FORTE - PALAVRA DA VÍTIMA ALIADA AOS DEMAIS ELEMENTOS PRODUZIDOS NOS AUTOS - PROVA PERICIAL NO LOCAL DO CRIME - CONDENAÇÃO MANTIDA - RECURSO DESPROVIDO, EM CONSONÂNCIA COM O PARECER MINISTERIAL. O crime previsto no artigo 15, do Estatuto do Desarmamento, caracteriza-se pelo simples ato de "disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências .. desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime". Restando comprovado, pelos elementos coligidos nos autos, notadamente as provas orais e o laudo pericial, de que o acusado foi responsável pelo disparo ocorrido no interior da residência em comum do casal, a sua condenação é medida impositiva, não havendo se falar em absolvição por insuficiência de provas. Opostos embargos de declaração pela defesa, estes foram desprovidos (e-STJ fls. 711/717). A defesa apresentou recurso especial, com fulcro no art. 105, III, a, da Constituição Federal, alegando violação aos arts.156, 158-A, § 1º e B, II e 386, VII, todos do Código de Processo Penal, com o fundamento de haver dúvida quanto à existência do crime e à autoria por parte do recorrente. Afirmou "que não haviam elementos de prova indenes para comprovar que os disparos haviam sido realizados pelo mesmo" (e-STJ fl. 752). Sustentou que, não obstante "a perícia ter atestado que foram realizados disparos na residência do casal, esta foi realizada 6 (seis) meses após a comunicação do suposto delito, não tendo o condão de comprovar que o Recorrente realmente realizou o disparo contra a vítima, além do que não houve exame residuográfico na mão do Recorrente. Ademais, o local do crime idôneo é aqueles local que não foi violado se mantendo preservado, ou seja, os peritos compareceram ao local 6 (seis ) meses depois para confeccionar o laudo em local que não fora preservado" (e-STJ fl. 754). Pugnou, ao final, pela absolvição do agravante. O recurso especial foi inadmitido pela aplicação da Súmula n. 7/STJ. A defesa interpôs a gravo em recurso especial, no qual alega que o recurso especial não demanda revolvimento do conjunto probatório. O Ministério Público Federal se manifestou pelo desprovimento do agravo em recurso especial. Proferi decisão conhecendo do agravo para não conhecer do recurso especial (e-STJ fls. 820/824). Contra essa decisão a defesa interpõe o presente agravo regimental (e-STJ fls. 829/847). Em suas razões, argumenta que " o debate em questão não se restringe unicamente ao reexame das provas, mas estende-se à reavaliação jurídica dos depoimentos que, de maneira minuciosa e detalhada, foram apresentados na decisão recorrida. Nesse sentido, é importante frisar que não se verifica a violação da regra estabelecida na Súmula 07 deste Egrégia Corte, uma vez que o que se busca aqui não é um novo exame do material probatório, mas sim uma análise voltada para a interpretação e a qualificação jurídica dos fatos que foram já discutidos e decididos" (e-STJ fl. 837). Assim, requer seja reconsiderada a decisão agravada ou seja o presente recurso levado à apreciação da Turma competente. É o relatório. EMENTA PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DISPARO DE ARMA DE FOGO. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO. REVERSÃO DO JULGADO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. REVISÃO DO CONTEÚDO FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DAS SÚMULAS N. 7/STJ E 279/STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A Corte originária reconheceu a existência de elementos de prova suficientes para embasar o decreto condenatório pela prática do crime de disparo de arma de fogo. Assim, a mudança da conclusão alcançada no acórdão impugnado, de modo a absolver o acusado, exigiria o reexame das provas, o que é vedado nesta instância extraordinária, uma vez que o Tribunal a quo é soberano na análise do acervo fático-probatório dos autos (Súmulas n. 7/STJ e 279/STF). 2. Agravo regimental desprovido.
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