TJMG 0042712-16.2018.8.13.0073
PROCESSUALEMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO CIVIL PÚBLICA - IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA - INÉRCIA DO PREFEITO NA APRESENTAÇÃO DE DEFESA EM PROCESSO JUDICIAL - DOLO ESPECÍFICO NÃO COMPROVADO.
- No julgamento da matéria afeta ao Tema nº 1199 sob o rito dos recursos repetitivos, o STF assentou as teses, em repercussão geral, acerca da retroatividade das modificações da Lei 14.230/21: "1) É necessária a comprovação de responsabilidade subjetiva para a tipificação dos atos de improbidade administrativa, exigindo-se - nos artigos 9º, 10 e 11 da LIA - a presença do elemento subjetivo - DOLO; 2) A norma benéfica da Lei 14.230/2021 - revogação da modalidade culposa do ato de improbidade administrativa -, é IRRETROATIVA, em virtude do artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal, não tendo incidência em relação à eficácia da coisa julgada; nem tampouco durante o processo de execução das penas e seus incidentes; 3) A nova Lei 14.230/2021 aplica-se aos atos de improbidade administrativa culposos praticados na vigência do texto anterior da lei, porém sem condenação transitada em julgado, em virtude da revogação expressa do texto anterior; devendo o juízo competente analisar eventual dolo por parte do agente; 4) O novo regime prescricional previsto na Lei 14.230/2021 é IRRETROATIVO, aplicando-se os novos marcos temporais a partir da publicação da lei."
-Com a revogação da modalidade culposa, a configuração da improbidade administrativa passou a pressupor a demonstração de dolo específico, consistente na vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito.
- Inexistência de elementos indicativos do especial fim de agir visando a obtenção de vantagens ilícitas, assim como comprovação da existência do elemento subjetivo capaz de caracterizar prática de ato de improbidade administrativa.
- Em que pese o Código de Processo Civil preveja em seu art. 75, III que o Município poderá ser representado em juízo por seu prefeito, procuradorou Associação de Representação de Municípios, não subsistem elementos probatórios a sustentar a verossimilhança da narrativa apresentada pelo autor no sentido de que o então prefeito teria deliberadamente quedado inerte com o fim de favorecer o segundo réu em prejuízo ao erário, ou mesmo adotado medidas para impedir que o procurador municipal o fizesse.