STJ AREsp 2865191 / RJ
CIVILPROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. ATRASO NA ENTREGA. CLÁUSULA PENAL. DANOS MATERIAIS. VEDAÇÃO. REEXAME DE PROVAS E CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SÚMULAS N. 5 E 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. SÚMULA N. 83/STJ. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVOS NÃO CONHECIDOS.
I. Caso em exame
1. Agravos contra decisão que não conheceu de recursos especiais interpostos em face de acórdão que condenou a ré ao pagamento de cláusula penal moratória, ressarcimento de cotas condominiais e indenização por danos morais em razão de atraso na entrega de imóvel em construção.
2. O primeiro recurso especial alegou violação aos arts. 86, 402, 489, II e III, e 1.022, I, do CPC, sustentando sucumbência mínima, custos extras com manutenção de outro imóvel e negativa de prestação jurisdicional. O segundo recurso especial alegou violação aos arts. 884 e 944 do CC e ao Tema 970 do STJ, além de dissídio jurisprudencial, defendendo a impossibilidade de cumulação de cláusula penal com danos emergentes.
3. Ambos os recursos especiais foram inadmitidos com fundamento na incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ, por demandarem reexame de matéria fático-probatória e interpretação de cláusulas contratuais.
II. Questão em discussão
4. Há duas questões em discussão: (i) saber se os recursos especiais podem ser conhecidos, considerando a alegação de violação de dispositivos legais e dissídio jurisprudencial; e (ii) saber se a análise das matérias recursais demanda reexame de provas ou interpretação de cláusulas contratuais, o que é vedado em sede de recurso especial.
III. Razões de decidir
5. A jurisprudência do STJ veda o reexame de fatos e provas em recurso especial, conforme Súmula n. 7, e a interpretação de cláusulas contratuais, conforme Súmula n. 5, ambas desta Corte.
6. A análise das alegações recursais, como a distribuição dos ônus sucumbenciais, custos extras e danos emergentes, demanda revisitação do acervo fático-probatório e interpretação de cláusulas contratuais, o que é incompatível com a função uniformizadora do recurso especial.
7. A alegação de dissídio jurisprudencial não foi acompanhada de cotejo analítico suficiente para demonstrar similitude fática entre os casos confrontados, conforme exigido pelos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do RISTJ.
8. A decisão recorrida está alinhada à jurisprudência do STJ, atraindo a incidência da Súmula n. 83 do STJ, que impede o conhecimento do recurso especial pela divergência quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida. A interposição de recurso especial pela alínea "c" do permissivo constitucional exige a comprovação e o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e os paradigmas, com a demonstração da similitude fática e da divergência de interpretações, o que não foi atendido pela parte recorrente.
9. Não se configura ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC quando o acórdão recorrido aprecia de forma clara e suficiente as questões essenciais para o deslinde da controvérsia, ainda que o resultado seja desfavorável à pretensão da parte.
IV. Dispositivo
10. Agravos em recurso especial não conhecidos.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 28/10/2025 a 03/11/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora.
Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com a Sra. Ministra Relatora.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins.