Decisão · STJ

STJ AREsp 3153139

Rel. RICARDO VILLAS BÔAS CUEVAjulgado em 2026-01-14publicado em 2026-05-28
CONSUMIDOR
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO DO CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE COBERTURA. MEDICAMENTO ANTINEOPLÁSICO. TRATAMENTO DE CÂNCER. RECUSA ABUSIVA. ROL DA ANS. NATUREZA. IRRELEVÂNCIA. CUSTEIO. OPERADORA. 1. Discute-se nos autos acerca da obrigatoriedade de cobertura pelo plano de saúde de medicamento indicado ao beneficiário para tratamento de câncer. 2. É obrigatório o custeio pelo plano de saúde de medicamento antineoplásico para tratamento de câncer, sendo irrelevante o questionamento acerca da natureza taxativa ou exemplificativa do rol da ANS. 3. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a operadora de plano de saúde deve ofertar fármaco antineoplásico oral registrado na Anvisa, ainda que se trate de medicamento off-label. 4. Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial. RELATÓRIO Trata-se de agravo interposto por UNIMED DE RIBEIRÃO PRETO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO contra a decisão que inadmitiu o recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado: "Apelação. Ação de obrigação de fazer. Plano de saúde. Negativa de cobertura. Sentença de procedência, para determinar que a ré autorize ou forneça o medicamento prescrito pelo médico do autor (abiraterona/Zytiga), portador de neoplasia maligna de próstata, com metástase, de alto risco. Fármaco de uso domiciliar. Parecer desfavorável do NAT JUS não se sobrepõe à prescrição médica. Aplicação do Código de Defesa do Consumidor. Inteligência das súmulas 95, 100 e 102 deste E. TJSP. Manutenção da sentença. Honorários advocatícios fixados por equidade. Descabimento. Modificação do critério, com arbitramento da verba honorária em 15% sobre o valor da causa. Recurso parcialmente provido." (e-STJ fl. 277) Os embargos declaratórios foram rejeitados (e-STJ fls. 288/290). Nas razões do recurso especial, a recorrente sustenta, além da divergência jurisprudencial, violação dos artigos 4º e 10, § 4º, da Lei nº 9.961/2000. Aduz que não está obrigado a custear tratamento com medicamento off label, de caráter experimental. Contrarrazões às e-STJ fls. 528/535, o recurso especial foi inadmitido, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO DO CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE COBERTURA. MEDICAMENTO ANTINEOPLÁSICO. TRATAMENTO DE CÂNCER. RECUSA ABUSIVA. ROL DA ANS. NATUREZA. IRRELEVÂNCIA. CUSTEIO. OPERADORA. 1. Discute-se nos autos acerca da obrigatoriedade de cobertura pelo plano de saúde de medicamento indicado ao beneficiário para tratamento de câncer. 2. É obrigatório o custeio pelo plano de saúde de medicamento antineoplásico para tratamento de câncer, sendo irrelevante o questionamento acerca da natureza taxativa ou exemplificativa do rol da ANS. 3. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a operadora de plano de saúde deve ofertar fármaco antineoplásico oral registrado na Anvisa, ainda que se trate de medicamento off-label. 4. Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial.
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