Decisão · STJ

STJ AREsp 2992533

Rel. HUMBERTO MARTINSjulgado em 2025-07-17publicado em 2026-04-07
CIVIL
PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DEMORA PARA O ATENDIMENTO MÉDICO. DIAGNÓSTICO DE AVC. SEQUELAS. DANO MORAL. CONFIGURAÇÃO. REEXAME DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE SIMILITUDE FÁTICA. 1. Rever o entendimento firmado pelo Tribunal de origem, a fim de concluir pela ocorrência ou não de danos morais, demandaria o reexame de todo o contexto fático-probatório dos autos, o que é defeso a esta Corte ante o óbice da Súmula n. 7 do STJ. 3. A divergência jurisprudencial não foi comprovada, conforme estabelecido nos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do RISTJ, porquanto ausente o necessário cotejo analítico a demonstrar a identidade fática e jurídica entre a hipótese dos autos e aquela expressa no paradigma, sendo certo que a simples transcrição de ementas e de trechos dos julgados não é suficiente para a comprovação do dissídio. Agravo interno improvido. RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Cuida-se de agravo interno interposto pela UNIMED-RIO EMPREENDIMENTOS MEDICOS E HOSPITALARES LTDA . contra decisão proferida pela Presidência do STJ, que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial (fls. 997-1.000). Extrai-se dos autos que a agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO cuja ementa guarda os seguintes termos (fls. 796-797): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. CIRURGIA ELETIVA. COLECISTECTOMIA. ALEGAÇÃO DE DEMORA PARA O ATENDIMENTO MÉDICO. DIAGNÓSTICO DE AVC. SEQUELAS. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA QUE CONDENOU AS RÉS AO PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS NO VALOR DE R$ 10.000,00 PARA A 1ª AUTORA E R$ 5.000,00 PARA 2ª AUTORA (POR RICOCHETE). RECURSO DAS RÉS. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA SUSCITADA PELO PLANO DE SAÚDE QUE SE REJEITA. HOSPITAL PRÓPRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 293 DESTA CORTE. MÉRITO. APELO DE AMBAS AS RÉS SOB O FUNDAMENTO DE QUE NÃO HOUVE FALHA NA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA DOS HOSPITAIS NO QUE TANGE À ATUAÇÃO DOS MÉDICOS CONTRATADOS QUE NELES TRABALHAM. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 14, § 4º, DO CDC. PRECEDENTES. LAUDO PERICIAL CONCLUSIVO NO SENTIDO DE QUE A 1ª AUTORA AGUARDOU POR 08H16M POR ATENDIMENTO MÉDICO EMBORA DENTRO DE UNIDADE HOSPITALAR. PROLONGAMENTO DO SOFRIMENTO. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. APELO DO PLANO DE SAÚDE PELA REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO E PELO RECONHECIMENTO DA SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. MANUTENÇÃO DAS VERBAS INDENIZATÓRIAS, EIS QUE ESTABELECIDAS NOS PARÂMETROS DESTE TRIBUNAL. PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS JULGADO IMPROCEDENTE. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. ARTIGO 86, CAPUT, DO CPC. RECURSO DA 2ª RÉ/APELANTE 1 DESPROVIDO. RECURSO DA 1ª RÉ/APELANTE 2 PARCIALMENTE PROVIDO. Embargos de declaração rejeitados (fl. 866): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. CIRURGIA ELETIVA. COLECISTECTOMIA. ALEGAÇÃO DE DEMORA PARA O ATENDIMENTO MÉDICO. DIAGNÓSTICO DE AVC. SEQUELAS. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. RECURSO DA 2ª RÉ DESPROVIDO. RECURSO DA 1ª RÉ PARCIALMENTE PROVIDO. ACLARATÓRIOS. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA REJEITADA. DEMORA DE OITO HORAS PARA O ATENDIMENTO MÉDICO. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. MANUTENÇÃO DAS VERBAS INDENIZATÓRIAS. MERA IRRESIGNAÇÃO COM O CONTEÚDO DECISÓRIO. PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 1.025 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NO V. ACÓRDÃO. RECURSOS DESPROVIDOS. Nas razões do agravo interno, a parte agravante defende que (fls. 1.008-1.009): .. convém observar que o Acórdão da Apelação, ao entender por manter a sentença que definiu a responsabilidade do primeiro réu por supostos danos sofridos pela parte Autora, deixou de avaliar pontos essenciais ao deslinde da controvérsia. Notadamente, a ausência da constatação de culpa dos profissionais que atenderam a paciente, como bem destacado em laudo pericial, assim como a inexistência de nexo de causalidade entre a condutas do nosocômio e o dano suscitado, demonstram a omissão relativa à comprovação dos elementos da responsabilidade civil. Nesta conformidade, existem evidentes indícios de negativa de prestação jurisdicional ou, ao menos, de prestação jurisdicional inadequada, ante a violação ao artigo 1.022, inciso II do Código de Processo Civil, o que, por si só, já impõe o processamento do Recurso Especial em referência Sustenta que (fl. 1.010): Na hipótese, o expert concluiu que a 1ª autora/apelada aguardou por grande lapso de tempo, qual seja, 8h16m, até receber atendimento médico, embora estivesse internada, mas que esta demora não foi a causadora do acidente vascular isquêmico. (fls. 803) Dessa forma, evidente que não há aqui qualquer tentativa de reanálise de fatos e provas, o que naturalmente é vedado nos Recursos Excepcionais, mas, sim, de chamar atenção para a violação ao Direito Federal, o que requer a necessária intervenção dos Eminentes Ministros, a fim de dizer o sentido e o alcance da norma. Alega que (fl. 1.015): .. o entendimento firmado pela Corte Fluminense no caso em tela está diametralmente oposto ao entendimento do Tribunal Bandeirante, firmado no sentido de que é necessária a comprovação do nexo de causalidade entre a conduta praticada pelo agente e o dano alegado pela parte, devendo ser aplicada a teoria da causalidade direta e imediata, conforme estabelecido no artigo 403 do Código Civil. Não foram apresentadas contrarrazões. É, no essencial, o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DEMORA PARA O ATENDIMENTO MÉDICO. DIAGNÓSTICO DE AVC. SEQUELAS. DANO MORAL. CONFIGURAÇÃO. REEXAME DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE SIMILITUDE FÁTICA. 1. Rever o entendimento firmado pelo Tribunal de origem, a fim de concluir pela ocorrência ou não de danos morais, demandaria o reexame de todo o contexto fático-probatório dos autos, o que é defeso a esta Corte ante o óbice da Súmula n. 7 do STJ. 3. A divergência jurisprudencial não foi comprovada, conforme estabelecido nos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do RISTJ, porquanto ausente o necessário cotejo analítico a demonstrar a identidade fática e jurídica entre a hipótese dos autos e aquela expressa no paradigma, sendo certo que a simples transcrição de ementas e de trechos dos julgados não é suficiente para a comprovação do dissídio. Agravo interno improvido.
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