Decisão · STJ

STJ AREsp 2696459

Rel. MOURA RIBEIROjulgado em 2024-07-19publicado em 2025-10-16
CIVIL
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA HIPOSSUFICIÊNCIA ECONÔMICA. NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. SÚMULA 284/STF. ACESSO À JUSTIÇA E DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA COM BASE EM PREMISSAS FÁTICAS. 1. ISOTEC sustentou equívoco na aplicação da Súmula 7 do STJ e violação do art. 98 do CPC. A decisão monocrática reconheceu que a pretensão demandava reexame de provas e afastou a alegação de ofensa ao dispositivo legal. 2. A tese de que seria possível a revaloração jurídica de documentos foi rejeitada, pois os elementos apresentados eram insuficientes e defasados, impondo a incidência da Súmula 7 do STJ. 3. O dissídio jurisprudencial não foi conhecido em razão da ausência de cotejo analítico, incidindo a Súmula 284 do STF. 4. A negativa de concessão da gratuidade não configurou cerceamento de acesso à justiça ou violação ao duplo grau, uma vez que a decisão baseou-se em premissas fáticas devidamente analisadas. 5. Agravo interno a que se negou provimento RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por ISOTEC ENGENHARIA LTDA. (ISOTEC) contra decisão monocrática proferida pela Presidência desta Corte, que não conheceu do recurso especial interposto pela empresa, sob o fundamento da incidência da Súmula 7 do STJ e da ausência de demonstração adequada do dissídio jurisprudencial, assim ementada: : AGRAVO INTERNO - AÇÃO DE COBRANÇA - LOCAÇÃO DE BEM MÓVEL - CONCESSÃO DE GRATUIDADE JUDICIÁRIA À APELANTE: PESSOA JURÍDICA - IMPOSSIBILIDADE - NÃO COMPROVAÇÃO DO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS, ÔNUS DA PESSOA JURÍDICA POSTULANTE DO BENEFÍCIO - DIFERIMENTO DO RECOLHIMENTO DAS CUSTAS PROCESSUAIS - DESCABIMENTO - BENEFÍCIO QUE ESTÁ CONDICIONADO À SUBSUNÇÃO DA AÇÃO OU PROCEDIMENTO ÀS HIPÓTESES EXPRESSAMENTE MENCIONADAS PELO LEGISLADOR NO ARTIGO 5º DA LEI ESTADUAL Nº 11.608/03, DENTRE AS QUAIS NÃO ESTÁ A AÇÃO DE COBRANÇA - RECURSO DESPROVIDO. (e-STJ, fls. 287-291). Nas razões do agravo interno, ISOTEC sustentou: (1) que a decisão monocrática incorreu em equívoco ao aplicar a Súmula 7 do STJ, pois não pretendeu o reexame do acervo fático-probatório, mas apenas a correta valoração dos documentos já juntados aos autos, em conformidade com o art. 98 do Código de Processo Civil; (2) que, segundo a jurisprudência desta Corte, é possível a revaloração jurídica dos fatos e documentos constantes do processo sem que isso implique reexame de provas, de modo que a decisão deixou de observar essa orientação; (3) que o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e os paradigmas colacionados foi devidamente realizado, tendo demonstrado a similitude fática e jurídica entre os julgados, razão pela qual não se poderia concluir pela ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial, afastando-se, portanto, a incidência da Súmula 284 do STF; e (4) que a negativa de concessão da gratuidade de justiça impediu o pleno acesso à jurisdição e ao duplo grau de jurisdição, configurando ofensa a princípios constitucionais. (e-STJ, fls. 295-300). Houve apresentação de contraminuta por PTA LOCAÇÕES DE EQUIPAMENTOS LTDA. (PTA), defendendo que: (1) a decisão monocrática foi acertada, pois a análise do pedido de gratuidade de justiça exige reexame de provas, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ; (2) a agravante não comprovou sua hipossuficiência econômica de forma adequada, apresentando documentos antigos e insuficientes; (3) não houve demonstração de dissídio jurisprudencial, pois os casos citados pela agravante não possuem similitude fática e jurídica com o caso em análise (e-STJ, fls. 276-281). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA HIPOSSUFICIÊNCIA ECONÔMICA. NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. SÚMULA 284/STF. ACESSO À JUSTIÇA E DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA COM BASE EM PREMISSAS FÁTICAS. 1. ISOTEC sustentou equívoco na aplicação da Súmula 7 do STJ e violação do art. 98 do CPC. A decisão monocrática reconheceu que a pretensão demandava reexame de provas e afastou a alegação de ofensa ao dispositivo legal. 2. A tese de que seria possível a revaloração jurídica de documentos foi rejeitada, pois os elementos apresentados eram insuficientes e defasados, impondo a incidência da Súmula 7 do STJ. 3. O dissídio jurisprudencial não foi conhecido em razão da ausência de cotejo analítico, incidindo a Súmula 284 do STF. 4. A negativa de concessão da gratuidade não configurou cerceamento de acesso à justiça ou violação ao duplo grau, uma vez que a decisão baseou-se em premissas fáticas devidamente analisadas. 5. Agravo interno a que se negou provimento
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