Decisão · STJ

STJ HC 956725

Rel. JOEL ILAN PACIORNIKjulgado em 2024-10-28publicado em 2025-02-24
PROCESSUAL
Direito processual penal. Agravo regimental. Habeas corpus. Prisão preventiva. Recurso desprovido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do habeas corpus, em que o impetrante busca a revogação da prisão preventiva do paciente, alegando ausência de contemporaneidade dos motivos ensejadores da custódia cautelar e condições pessoais favoráveis do paciente. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em avaliar a legalidade da manutenção da prisão preventiva do paciente, considerando a gravidade concreta dos fatos e a necessidade de garantir a ordem pública. 3. Alega-se que o reconhecimento fotográfico do paciente foi realizado três anos após os fatos investigados, questionando sua validade para apontar indícios de autoria e respaldar a decretação da prisão preventiva. III. Razões de decidir 4. A análise da tese de negativa de indícios de autoria formulada pelo paciente implicaria o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado na via eleita. 5. A prisão preventiva é cabível nos termos do art. 312 do CPP para garantir a ordem pública, desde que evidenciados prova da materialidade, indícios de autoria e risco gerado pelo estado de liberdade do imputado. 6. No caso, a prisão preventiva está fundamentada na gravidade concreta dos delitos imputados ao paciente, evidenciada pela participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro, além da necessidade de interromper as atividades do grupo criminoso. 7. As condições pessoais favoráveis, como primariedade e residência fixa, não são suficientes para afastar a necessidade da prisão preventiva, quando a gravidade do crime e o risco à ordem pública estão presentes. 8. A substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas mostra-se inadequada, uma vez que as circunstâncias evidenciam que tais providências seriam insuficientes para acautelar a ordem pública. 9. A alegação de ausência de contemporaneidade da prisão preventiva não foi examinada pelo Tribunal de origem, o que obsta sua análise direta por esta Corte Superior. IV. Dispositivo e tese 10. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. A análise da tese de negativa de indícios de autoria implica o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, vedado na via do habeas corpus . 2. A prisão preventiva é cabível para garantir a ordem pública, desde que evidenciados prova da materialidade, indícios de autoria e risco gerado pelo estado de liberdade do imputado. 3. As condições pessoais favoráveis não afastam a necessidade da prisão preventiva quando a gravidade do crime e o risco à ordem pública estão presentes. 4. A substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas é inadequada quando as circunstâncias evidenciam que tais providências seriam insuficientes para acautelar a ordem pública." Dispositivos relevantes citados: CPP, arts. 312, 313, 319. Jurisprudência relevante citada: STF, HC 95.024/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, Primeira Turma, DJe 20/2/2009; STJ, AgRg no RHC 179.956/MT, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 18/12/2023. RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental contra decisão que não conheceu do habeas corpus, em que o impetrante busca a revogação da prisão preventiva do paciente. Em suma, invoca no mandamus ausência de contemporaneidade dos motivos ensejadores da custódia cautelar, bem como a ausência de fundamentos idôneos aptos a justificar a prisão preventiva. Argumenta que o reconhecimento fotográfico do paciente foi realizado três anos após os fatos investigados, de modo que não pode ser utilizado a fim de apontar a existência de indícios de autoria para respaldar decretação da prisão preventiva. Por fim, ressalta as condições pessoais favoráveis do paciente. Nada alega de novo, fazendo apenas o pedido de reconsideração da decisão monocrática, por mim proferida, ou remessa do feito ao Colegiado para apreciação da pretensão deduzida no habeas corpus. É o relatório. EMENTA Direito processual penal. Agravo regimental. Habeas corpus. Prisão preventiva. Recurso desprovido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do habeas corpus, em que o impetrante busca a revogação da prisão preventiva do paciente, alegando ausência de contemporaneidade dos motivos ensejadores da custódia cautelar e condições pessoais favoráveis do paciente. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em avaliar a legalidade da manutenção da prisão preventiva do paciente, considerando a gravidade concreta dos fatos e a necessidade de garantir a ordem pública. 3. Alega-se que o reconhecimento fotográfico do paciente foi realizado três anos após os fatos investigados, questionando sua validade para apontar indícios de autoria e respaldar a decretação da prisão preventiva. III. Razões de decidir 4. A análise da tese de negativa de indícios de autoria formulada pelo paciente implicaria o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado na via eleita. 5. A prisão preventiva é cabível nos termos do art. 312 do CPP para garantir a ordem pública, desde que evidenciados prova da materialidade, indícios de autoria e risco gerado pelo estado de liberdade do imputado. 6. No caso, a prisão preventiva está fundamentada na gravidade concreta dos delitos imputados ao paciente, evidenciada pela participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro, além da necessidade de interromper as atividades do grupo criminoso. 7. As condições pessoais favoráveis, como primariedade e residência fixa, não são suficientes para afastar a necessidade da prisão preventiva, quando a gravidade do crime e o risco à ordem pública estão presentes. 8. A substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas mostra-se inadequada, uma vez que as circunstâncias evidenciam que tais providências seriam insuficientes para acautelar a ordem pública. 9. A alegação de ausência de contemporaneidade da prisão preventiva não foi examinada pelo Tribunal de origem, o que obsta sua análise direta por esta Corte Superior. IV. Dispositivo e tese 10. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. A análise da tese de negativa de indícios de autoria implica o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, vedado na via do habeas corpus . 2. A prisão preventiva é cabível para garantir a ordem pública, desde que evidenciados prova da materialidade, indícios de autoria e risco gerado pelo estado de liberdade do imputado. 3. As condições pessoais favoráveis não afastam a necessidade da prisão preventiva quando a gravidade do crime e o risco à ordem pública estão presentes. 4. A substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas é inadequada quando as circunstâncias evidenciam que tais providências seriam insuficientes para acautelar a ordem pública." Dispositivos relevantes citados: CPP, arts. 312, 313, 319. Jurisprudência relevante citada: STF, HC 95.024/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, Primeira Turma, DJe 20/2/2009; STJ, AgRg no RHC 179.956/MT, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 18/12/2023.
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