Decisão · STJ

STJ RHC 191328

Rel. ANTONIO SALDANHA PALHEIROjulgado em 2023-12-12publicado em 2024-06-20
CIVIL
PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. PRISÃO PREVENTIVA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. GRAVIDADE CONCRETA. CONDIÇÕES FAVORÁVEIS. IRRELEVÂNCIA IN CASU. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A validade da segregação cautelar está condicionada à observância, em decisão devidamente fundamentada, aos requisitos insertos no art. 312 do Código de Processo Penal, revelando-se indispensável a demonstração de em que consiste o periculum libertatis. 2. No caso, a prisão preventiva está justificada, pois, segundo a decisão que a impôs, o ora recorrente seria membro de destaque de organização criminosa e com atuação internacional, especializada na realização de golpes de falso Day Trade, sediada em Portugal, que tinha por finalidade criar falsas empresas de corretagem para que as vítimas passassem a realizar operações financeiras fictícias de investimento, indicadas pelos membros da organização. Dessarte, evidenciada a sua periculosidade e a necessidade da segregação como forma de acautelar a ordem pública. 3. Condições subjetivas favoráveis do agente, por si sós, não impedem a prisão cautelar, caso se verifiquem presentes os requisitos legais para a decretação da segregação provisória (precedentes). 4. Mostra-se indevida a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, quando a segregação encontra-se fundada na gravidade efetiva do delito, indicando que as providências menos gravosas seriam insuficientes para acautelar a ordem pública e evitar a prática de novos crimes. 5. Agravo regimental desprovido. RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): Trata-se de agravo regimental interposto por ANDRE DA SILVA ROSAS GOMES contra a decisão em que se negou provimento ao recurso em habeas corpus interposto em seu favor. Extrai-se dos autos que o Juízo de primeiro grau decretou a prisão preventiva do recorrente, em 30/3/2023, pela suposta prática do crime de organização criminosa. Irresignada, a defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal de origem, o qual denegou a ordem. No recurso ordinário interposto nesta Corte, alegou a defesa que o recorrente era tão somente funcionário de uma empresa que foi alvo de investigação e cujos proprietários respondem à ação penal em liberdade, não sendo coerente o mandado prisional expedido contra ele. Sustentou que o decreto prisional carece de fundamentação idônea e asseverou que não estão presentes os requisitos autorizadores da custódia cautelar, previstos no art. 312 do Código de Processo Penal. Ressaltou as condições pessoais favoráveis do acusado e apontou a suficiência da aplicação de medidas alternativas ao cárcere no caso concreto, sobretudo quando considerados os diversos erros cometidos pela autoridade policial ao indicar o réu como o braço direito do líder da organização criminosa, seu endereço, sua participação em eventos, dentre outros. Indeferida a liminar e prestadas as informações, opinou o Ministério Público Federal pelo desprovimento do recurso. O recurso foi desprovido (e-STJ fls. 2.800/2.805). Nas razões deste recurso, a defesa defende a desnecessidade da prisão preventiva, reiterando as alegações expendidas anteriormente. Aduz que, "entre a realização da primeira fase e a prisão do investigado, ora recorrente, este JAMAIS praticou ato ilícito ou teve que qualquer vinculação com a suposta organização criminosa relatada pela autoridade policial, conforme bem se observa dos documentos anexos, o RECORRENTE NESSE PERÍODO ESTAVA COM SUA FAMÍLIA e PROCURANDO EMPREGO NOVO, conforme se demonstra na relação de documentos anexos" (e-STJ fl. 2.826). Ao final, requer a reconsideração da decisão agravada ou, caso contrário, o provimento do recurso pelo colegiado. É o relatório. EMENTA PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. PRISÃO PREVENTIVA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. GRAVIDADE CONCRETA. CONDIÇÕES FAVORÁVEIS. IRRELEVÂNCIA IN CASU. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A validade da segregação cautelar está condicionada à observância, em decisão devidamente fundamentada, aos requisitos insertos no art. 312 do Código de Processo Penal, revelando-se indispensável a demonstração de em que consiste o periculum libertatis. 2. No caso, a prisão preventiva está justificada, pois, segundo a decisão que a impôs, o ora recorrente seria membro de destaque de organização criminosa e com atuação internacional, especializada na realização de golpes de falso Day Trade, sediada em Portugal, que tinha por finalidade criar falsas empresas de corretagem para que as vítimas passassem a realizar operações financeiras fictícias de investimento, indicadas pelos membros da organização. Dessarte, evidenciada a sua periculosidade e a necessidade da segregação como forma de acautelar a ordem pública. 3. Condições subjetivas favoráveis do agente, por si sós, não impedem a prisão cautelar, caso se verifiquem presentes os requisitos legais para a decretação da segregação provisória (precedentes). 4. Mostra-se indevida a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, quando a segregação encontra-se fundada na gravidade efetiva do delito, indicando que as providências menos gravosas seriam insuficientes para acautelar a ordem pública e evitar a prática de novos crimes. 5. Agravo regimental desprovido.
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