Decisão · STJ

STJ EREsp 1928801

Rel. ROGERIO SCHIETTI CRUZjulgado em 2021-03-22publicado em 2024-03-15
TRIBUTÁRIO
PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. INOVAÇÃO RECURSAL INDEVIDA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO. SÚMULA N. 83 DO STJ. CONDENAÇÃO CARACTERIZADORA DOS MAUS ANTECEDENTES. AUSÊNCIA DA DATA DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL. COMPETÊNCIA DO STF. CRIME ÚNICO. SONEGAÇÃO DE ICMS. CRIME AUTONÔMO A CADA PERÍODO MENSAL DE APURAÇÃO. PRESCRIÇÃO DA FRAÇÃO DE PENA RELATIVA À CONTINUIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. PRESCRIÇÃO QUE INCIDE APENAS SOBRE A PENA DE CADA CRIME DEVIDAMENTE INDIVIDUALIZADA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O pedido de declaração da prescrição da pretensão punitiva na modalidade retroativa (entre a data dos fatos e a do recebimento da denúncia) caracteriza-se como indevida inovação em agravo regimental. 2. O reconhecimento da prescrição, na modalidade pretendida, poderia haver sido suscitado nas instâncias antecedentes, o que não ocorreu, e caracteriza também a ausência de prequestionamento. 3. Ademais, o crédito tributário foi constituído definitivamente em 14/3/2007, data de referência para fins de contagem da prescrição. O STJ entende ser aplicável o disposto na Súmula Vinculante n. 24 mesmo a fatos anteriores à sua edição. Portanto, não haveria plausibilidade na pretendida declaração da prescrição. 4. A instância antecedente atestou que a própria defesa contribuiu para o tumulto na representação processual e que a atuação da Defensoria Pública se mostrou suficiente e não causou prejuízo concreto ao réu. Incidência da Súmula n. 83 do STJ. 5. Não é assegurado à parte postular a declaração de nulidade para a qual tenha ela própria dado causa ou concorrido, conforme a dicção do art. 565 do Código de Processo Penal. 6. Não se aplica o prazo previsto no art. 64, I, do CP para caracterização dos maus antecedentes. A exceção refere-se, tão somente, àquelas condenações muito antigas, considerada, para tanto, a data da extinção da punibilidade, e não a do trânsito em julgado da condenação. Aplicação do disposto na Súmula n. 83 do STJ. 7. Na hipótese, a condenação caracterizadora dos maus antecedentes transitou em julgado em 10/4/1998, porém não há informação sobre a data da possível extinção da punibilidade. Assim, a análise seria inviável por demandar dilação probatória, procedimento vedado, em recurso especial, pelo disposto na Súmula n. 7 do STJ. 8. Ademais, a defesa afirma, nas razões deste regimental, que a extinção da punibilidade teria ocorrido em 6/2/2003. Tomada como verídica a informação, entre a data da extinção da punibilidade da condenação caracterizadora dos maus antecedentes e os ilícitos objeto desta ação penal (2007) não houve o transcurso de prazo suficiente para afastar a incidência da referida vetorial. 9. O recurso especial é inadmissível na parte em que alega inconstitucionalidade do art. 1º, parágrafo único, da Lei n. 8.137/1990, em vista da competência reservada ao Supremo Tribunal Federal. 10. Cada período mensal de apuração do ICMS caracteriza um delito autônomo, logo, a pretensão de reconhecimento de crime único. não encontra respaldo na jurisprudência do STJ. 11. A defesa inova ao pleitear que se reconheça agora a continuidade delitiva entre os crimes previstos nos arts. 1º, I, e 1º, parágrafo único, ambos da Lei n. 8.137/1990. No entanto, a pretensão implicaria a necessidade de avaliação da autonomia das condutas, o que é inviável pelo óbice estabelecido na Súmula n. 7 do STJ. 12. Não há previsão legal para o pleito de declaração da prescrição da pretensão punitiva da fração de pena relativa à continuidade delitiva. 13. A continuidade delitiva é ficção jurídica benéfica ao réu, aplicável aos casos específicos de concurso de crimes, contudo, não detém autonomia. A prescrição da pretensão punitiva incide sobre a pena devidamente individualizada de cada ação delitiva, consoante o disposto no art. 119 do Código Penal. 14. Agravo regimental não provido. RELATÓRIO SINVAL DIAS BORGES agrava de decisão de minha relatoria em que não conheci do recurso especial e, como consequência, foi mantida integralmente sua condenação pela prática do crime previsto no art. 1º, I, e parágrafo único, da Lei n. 8.137/1990. O agravante aponta a ocorrência de prescrição da pretensão punitiva, na modalidade retroativa, entre a data do fato e o recebimento da denúncia. Reitera haver sofrido "prejuízos irreparáveis" (fl. 2.533) decorrentes da atuação do defensor que não o representava porém peticionou nos autos e que a participação da defensoria pública foi apenas protocolar. Argumenta que a análise dos maus antecedentes (condenação antiga) não incide no óbice da Súmula n. 7 do STJ. Assevera ser possível a análise da inconstitucionalidade do art. 1º da Lei n. 8.137/1990, com a possibilidade de submissão do tema à Corte Especial do STJ. Aduz que os dispositivos da Convenção Americana de Direitos Humanos foram devidamente prequestionados na instância antecedente. No tocante ao reconhecimento do crime único, observa que o Tribunal de origem aplicou o concurso material e que, conforme a jurisprudência desta Corte Superior, há de ser reconhecida pelo menos a continuidade delitiva. Por fim, defende a viabilidade da tese da prescrição da fração de pena relativa a continuidade delitiva. Pleiteia a reconsideração do decisum ou o julgamento do agravo regimental pelo órgão colegiado. EMENTA PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. INOVAÇÃO RECURSAL INDEVIDA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO. SÚMULA N. 83 DO STJ. CONDENAÇÃO CARACTERIZADORA DOS MAUS ANTECEDENTES. AUSÊNCIA DA DATA DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL. COMPETÊNCIA DO STF. CRIME ÚNICO. SONEGAÇÃO DE ICMS. CRIME AUTONÔMO A CADA PERÍODO MENSAL DE APURAÇÃO. PRESCRIÇÃO DA FRAÇÃO DE PENA RELATIVA À CONTINUIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. PRESCRIÇÃO QUE INCIDE APENAS SOBRE A PENA DE CADA CRIME DEVIDAMENTE INDIVIDUALIZADA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O pedido de declaração da prescrição da pretensão punitiva na modalidade retroativa (entre a data dos fatos e a do recebimento da denúncia) caracteriza-se como indevida inovação em agravo regimental. 2. O reconhecimento da prescrição, na modalidade pretendida, poderia haver sido suscitado nas instâncias antecedentes, o que não ocorreu, e caracteriza também a ausência de prequestionamento. 3. Ademais, o crédito tributário foi constituído definitivamente em 14/3/2007, data de referência para fins de contagem da prescrição. O STJ entende ser aplicável o disposto na Súmula Vinculante n. 24 mesmo a fatos anteriores à sua edição. Portanto, não haveria plausibilidade na pretendida declaração da prescrição. 4. A instância antecedente atestou que a própria defesa contribuiu para o tumulto na representação processual e que a atuação da Defensoria Pública se mostrou suficiente e não causou prejuízo concreto ao réu. Incidência da Súmula n. 83 do STJ. 5. Não é assegurado à parte postular a declaração de nulidade para a qual tenha ela própria dado causa ou concorrido, conforme a dicção do art. 565 do Código de Processo Penal. 6. Não se aplica o prazo previsto no art. 64, I, do CP para caracterização dos maus antecedentes. A exceção refere-se, tão somente, àquelas condenações muito antigas, considerada, para tanto, a data da extinção da punibilidade, e não a do trânsito em julgado da condenação. Aplicação do disposto na Súmula n. 83 do STJ. 7. Na hipótese, a condenação caracterizadora dos maus antecedentes transitou em julgado em 10/4/1998, porém não há informação sobre a data da possível extinção da punibilidade. Assim, a análise seria inviável por demandar dilação probatória, procedimento vedado, em recurso especial, pelo disposto na Súmula n. 7 do STJ. 8. Ademais, a defesa afirma, nas razões deste regimental, que a extinção da punibilidade teria ocorrido em 6/2/2003. Tomada como verídica a informação, entre a data da extinção da punibilidade da condenação caracterizadora dos maus antecedentes e os ilícitos objeto desta ação penal (2007) não houve o transcurso de prazo suficiente para afastar a incidência da referida vetorial. 9. O recurso especial é inadmissível na parte em que alega inconstitucionalidade do art. 1º, parágrafo único, da Lei n. 8.137/1990, em vista da competência reservada ao Supremo Tribunal Federal. 10. Cada período mensal de apuração do ICMS caracteriza um delito autônomo, logo, a pretensão de reconhecimento de crime único. não encontra respaldo na jurisprudência do STJ. 11. A defesa inova ao pleitear que se reconheça agora a continuidade delitiva entre os crimes previstos nos arts. 1º, I, e 1º, parágrafo único, ambos da Lei n. 8.137/1990. No entanto, a pretensão implicaria a necessidade de avaliação da autonomia das condutas, o que é inviável pelo óbice estabelecido na Súmula n. 7 do STJ. 12. Não há previsão legal para o pleito de declaração da prescrição da pretensão punitiva da fração de pena relativa à continuidade delitiva. 13. A continuidade delitiva é ficção jurídica benéfica ao réu, aplicável aos casos específicos de concurso de crimes, contudo, não detém autonomia. A prescrição da pretensão punitiva incide sobre a pena devidamente individualizada de cada ação delitiva, consoante o disposto no art. 119 do Código Penal. 14. Agravo regimental não provido.
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